
Uma análise dos argumentos apresentados sobre o turismo, os equipamentos públicos, as obras em andamento e a proposta de modernização da Rodoviária de Paraguaçu Paulista.
A discussão sobre o futuro de Paraguaçu Paulista precisa ser feita com responsabilidade, informação e, principalmente, conhecimento da realidade do município.
Críticas à Administração Pública são legítimas e fazem parte do debate democrático. O mesmo vale para a imprensa, que tem papel importante na fiscalização e na cobrança por resultados.
Mas, quando uma publicação apresenta um diagnóstico sobre turismo, patrimônio, obras públicas e mobilidade urbana, é fundamental que os fatos estejam atualizados, contextualizados e relacionados diretamente aos assuntos que estão sendo discutidos.
A matéria recentemente publicada pela Folha de Paraguaçu apresenta uma série de equipamentos e espaços públicos como exemplos de abandono e, a partir disso, questiona a proposta de transferência da Rodoviária.
Reveja a matéria: Link: https://folhadeparaguacu.com.br/nao-cuida-nem-do-basico-e-quer-tirar-a-rodoviaria-do-centro-para-tumultuar-bairro-residencial-para-que-serve-obra-mirabolante-se-a-cidade-esta-abandonada/
É justamente aí que algumas contradições precisam ser esclarecidas.
GRANDE LAGO: OBRA PARADA OU OBRA EM TRANSFORMAÇÃO?
A matéria apresenta o Balneário Municipal — Grande Lago — como um retrato de desolação e afirma que haveria construções abandonadas pelas empreiteiras.
A realidade precisa ser apresentada de maneira mais completa.
O Grande Lago passou por problemas de execução e por situações contratuais que exigiram providências administrativas. Entretanto, isso não significa que a situação tenha permanecido congelada.
A Prefeitura registrou oficialmente, em julho de 2025, que o Grande Lago continuava recebendo manutenção e passando por obras de revitalização. Em fevereiro de 2026, foi anunciada a execução de nova etapa de revitalização da Prainha, com áreas temporariamente interditadas em razão da presença de operários e máquinas.
Portanto, apresentar simplesmente o equipamento como se estivesse abandonado e sem perspectiva de recuperação não traduz todo o processo que vem sendo realizado.
O orçamento municipal de 2026 também prevê recursos específicos para infraestrutura turística do Grande Lago e para a manutenção do complexo, demonstrando que o equipamento permanece dentro do planejamento público.
A pergunta que deveria ser feita é outra:
Como o Grande Lago está sendo reestruturado e como ficará depois das intervenções?
Essa é uma reportagem que interessa ao cidadão.
Por isso, fica um convite à imprensa: vá ao Grande Lago, registre as obras, converse com os responsáveis, mostre o que está sendo executado e apresente à população o projeto de futuro do principal equipamento de lazer e turismo do município.
Isso permite que o cidadão forme sua própria opinião a partir da realidade.
MARIA-FUMAÇA: PATRIMÔNIO NÃO É SINÔNIMO DE VIABILIDADE ECONÔMICA
A Maria-Fumaça faz parte da história ferroviária de Paraguaçu Paulista e possui valor histórico e cultural.
Mas é necessário separar patrimônio histórico de produto turístico economicamente sustentável.
Uma locomotiva histórica exige manutenção, operação especializada, segurança, infraestrutura, licenciamento e recursos.
Por isso, não basta afirmar que o equipamento deveria simplesmente “rodar”.
É necessário discutir:
- quanto custa sua operação;
- quanto custa sua manutenção;
- quem será responsável pela operação;
- qual será a frequência;
- qual público será atendido;
- como será feita a comercialização;
- como o equipamento será integrado ao restante do roteiro turístico;
- e qual será o retorno econômico para o município.
O próprio orçamento municipal de 2026 contempla a manutenção e operação do Trem Turístico, demonstrando que o tema está inserido no planejamento da área de Turismo.
O turismo ferroviário pode ser importante, mas não pode ser tratado como se, isoladamente, fosse capaz de resolver toda a atividade turística municipal.
Turismo é conjunto.
ESCOLA VAIL TOLEDO: QUAL É A RELAÇÃO COM A RODOVIÁRIA?
A matéria também cita a situação da Escola Vail Toledo como argumento contra a proposta de mudança da Rodoviária.
Se existem problemas no imóvel, eles precisam ser enfrentados pelas áreas responsáveis por educação, patrimônio, segurança, infraestrutura ou administração pública.
Mas é necessário explicar:
qual é a relação técnica entre a situação da Escola Vail Toledo e a localização futura de uma Rodoviária?
Uma discussão sobre transporte coletivo precisa tratar de transporte coletivo.
Uma discussão sobre patrimônio precisa tratar de patrimônio.
Uma discussão sobre educação precisa tratar de educação.
Misturar diferentes problemas públicos em uma mesma lista não necessariamente ajuda o cidadão a compreender qual é o problema e qual é a solução proposta.
TEATRO MUNICIPAL: A HISTÓRIA COMPLETA PRECISA SER CONTADA
Se a matéria decidiu abordar o Teatro Municipal, então existe uma oportunidade para um jornalismo ainda mais aprofundado.
A população merece saber:
Qual foi o projeto original?
Quanto foi contratado?
Quanto foi efetivamente pago?
Quais alterações ocorreram?
Quais problemas foram identificados?
Quais contratos foram firmados?
Quais etapas foram executadas?
Quais responsabilidades pertencem às administrações anteriores e quais pertencem à atual?
Quanto será necessário para concluir a obra?
Em fevereiro de 2026, por exemplo, a Prefeitura anunciou convênio de R$ 369.758,58 com o Governo do Estado para reforma do Cine Teatro Lucila Nascimento, sendo R$ 300 mil de repasse estadual e R$ 69.758,58 de contrapartida municipal. O projeto inclui melhorias de climatização e impermeabilização da cobertura.
Portanto, existe uma história administrativa e financeira que pode — e deve — ser apresentada à população.
Mais do que mostrar portas fechadas, uma boa reportagem deveria mostrar o caminho da obra, dos contratos, dos recursos e das soluções adotadas.
COMPLEXO FERROVIÁRIO: O PROBLEMA EXISTE, MAS A SOLUÇÃO TAMBÉM ESTÁ SENDO DISCUTIDA
Museu do Trem, Museu e Biblioteca Municipal, Estação Sapezal, Trem Turístico e Memorial As Galvão fazem parte de um conjunto que merece atenção.
E ninguém está dizendo que não existem problemas.
A própria Câmara Municipal registrou em 2026 requerimentos solicitando informações sobre a situação do Complexo Turístico Ferroviário, incluindo Museu, Trem Turístico, Estação Sapezal e Memorial As Galvão. As respostas do Executivo também constam no processo legislativo.
Isso demonstra que o tema está sendo acompanhado institucionalmente.
O que não se pode fazer é transformar problemas que estão sendo enfrentados em uma fotografia permanente de abandono.
Quando há rescisão contratual, novo processo, retomada de obra ou reestruturação, é preciso mostrar também essa etapa.
O cidadão precisa saber não apenas o que deu errado, mas também o que está sendo feito para corrigir.
MEMORIAL AS GALVÃO: UM DESAFIO QUE PRECISA SER ENFRENTADO
Neste ponto, existe uma discussão pertinente.
O Memorial As Galvão possui potencial cultural e turístico, mas precisa de maior integração com os roteiros, programação, visitação e divulgação.
Patrimônio não se sustenta apenas com uma edificação.
É necessário criar fluxo.
É necessário criar experiência.
É necessário integrar o equipamento aos roteiros turísticos regionais.
É necessário aproximar cultura, turismo e iniciativa privada.
A discussão, portanto, deve ser sobre como transformar o Memorial em um produto turístico vivo, e não simplesmente sobre sua existência física.
FONTE LUMINOSA: UM EXEMPLO DE COMO A INFORMAÇÃO PRECISA ESTAR ATUALIZADA
A matéria também coloca a Fonte Luminosa entre os equipamentos entregues ao abandono.
Entretanto, a realidade atual não corresponde a essa descrição.
A Fonte Luminosa esteve presente na programação oficial de eventos que já ocorreram no município, que inclui atividades como o Pedal Solidário, Estância Sertaneja, Estância Rock, Adore Paraguaçu, Estância Samba & Pagode, Natal Iluminado e Show da Virada.
Além disso, o próprio Portal da Prefeitura apresenta a Fonte Luminosa como um dos atrativos turísticos municipais.
Portanto, novamente, uma afirmação sobre abandono precisa ser confrontada com a situação concreta do equipamento.
PTC E CENTRO POLIESPORTIVO: PATRIMÔNIO PÚBLICO E PRIVADO NÃO PODEM SER TRATADOS COMO A MESMA COISA
Outro ponto que merece esclarecimento é a inclusão da sede social do PTC na mesma relação de equipamentos públicos apresentados como justificativa para questionar a transferência da Rodoviária.
A situação de um imóvel particular deve ser tratada de maneira diferente da situação de um equipamento público.
Se o debate é sobre a Rodoviária, é preciso discutir:
- transporte;
- trânsito;
- segurança;
- acessibilidade;
- localização;
- estacionamento;
- circulação;
- impacto urbano;
- atendimento ao usuário;
- expansão futura.
A existência de problemas em outros espaços da cidade não responde automaticamente à pergunta sobre qual deve ser a melhor localização de um terminal rodoviário.
ANTIGA FÁBRICA IMAC: PATRIMÔNIO TAMBÉM PRECISA DE MODELO DE NEGÓCIO
A antiga fábrica de refrigerantes de Conceição do Monte Alegre é outro exemplo que merece uma abordagem responsável.
O Plano Diretor de Turismo do município já registra como ação a possibilidade de dar uso pela iniciativa privada ao terreno da antiga fábrica.
Portanto, não se trata de um assunto inexistente.
Mas também não se pode imaginar que uma antiga estrutura industrial possa simplesmente voltar a funcionar sem investimentos.
É preciso saber:
Qual atividade será instalada?
Quem investirá?
Qual será o custo de recuperação?
Qual infraestrutura será necessária?
Qual modelo de concessão ou exploração será adotado?
Qual será a viabilidade econômica?
Uma política de turismo responsável precisa buscar investidores e empreendedores interessados em transformar patrimônio em atividade econômica.
O Poder Público pode criar condições.
Mas não pode substituir indefinidamente o empreendedor privado.
TURISMO SÉRIO PRECISA DE PODER PÚBLICO E INICIATIVA PRIVADA
Existe um ponto da matéria com o qual é possível concordar em princípio:
turismo precisa gerar renda.
Precisa movimentar comércio, hospedagem, alimentação, transporte, serviços, eventos e atividades culturais.
Mas isso não acontece apenas porque o Município possui atrativos.
É necessário transformar atrativos em produtos.
É necessário criar roteiros.
É necessário vender experiências.
É necessário desenvolver pacotes.
É necessário divulgar.
É necessário criar parcerias.
É necessário que hotéis, pousadas, restaurantes, agências, guias, produtores culturais, empreendedores e demais segmentos participem efetivamente dessa cadeia econômica.
O Município tem responsabilidades importantes: infraestrutura, planejamento, organização, promoção, legislação, articulação institucional e captação de recursos.
A iniciativa privada também tem responsabilidades: investimento, comercialização, criação de produtos e geração de negócios.
Turismo sustentável não pode depender exclusivamente dos cofres públicos.
PARAGUAÇU TEM ATRATIVOS — O DESAFIO É TRANSFORMÁ-LOS EM PRODUTOS
Paraguaçu Paulista possui um conjunto significativo de atrativos.
Tem o Grande Lago.
Tem o patrimônio ferroviário.
Tem a Fonte Luminosa.
Tem o Memorial As Galvão.
Tem Conceição do Monte Alegre.
Tem natureza.
Tem cachoeiras.
Tem patrimônio histórico.
Tem gastronomia.
Tem eventos.
Tem experiências rurais e culturais.
Tem equipamentos que precisam ser revitalizados, outros que precisam ser melhor integrados e outros que precisam de maior participação da iniciativa privada.
O desafio da política pública de turismo é justamente esse:
transformar patrimônio em experiência, experiência em visitação e visitação em renda.
Portanto, a discussão precisa avançar.
E A RODOVIÁRIA?
É justamente neste ponto que a discussão precisa deixar de ser emocional e passar a ser técnica.
A pergunta não deveria ser:
“Por que tirar a Rodoviária do centro?”
A pergunta correta é:
“Qual localização oferece melhores condições para o transporte, para os passageiros, para a segurança, para o trânsito e para o crescimento futuro de Paraguaçu Paulista?”
A localização de um terminal rodoviário precisa considerar vários fatores:
acessibilidade, segurança viária, circulação de veículos, estacionamento, espaço físico, integração com o sistema viário, possibilidade de expansão e qualidade do atendimento ao passageiro.
Não existe uma regra de que todos os terminais rodoviários precisam obrigatoriamente permanecer no centro das cidades.
Da mesma forma, também não é correto afirmar que ônibus modernos deixaram de entrar nos centros urbanos.
Isso não corresponde à realidade.
O que existe é uma variedade de modelos de planejamento, e cada município precisa avaliar sua própria realidade.
No transporte interestadual regular, a ANTT estabelece que o serviço opera em linhas autorizadas e que o embarque e desembarque ocorrem em terminais rodoviários ou pontos oficiais. A estrutura e a localização precisam, portanto, ser analisadas dentro das exigências de transporte e das condições urbanas locais.
Paraguaçu Paulista possui atualmente ligação rodoviária direta com São Paulo, tendo como destino a Rodoviária da Barra Funda. Levantamentos de venda de passagens consultados em setembro de 2026 mostram, inclusive, horários de saída de Paraguaçu Paulista às 11h20 e 22h35 em determinadas datas, com veículos equipados com ar-condicionado, banheiro, Wi-Fi e outras comodidades.
Isso revela outro ponto importante:
uma cidade turística precisa pensar não apenas onde o ônibus estaciona, mas em como o visitante chega, quantas opções de transporte existem, quais horários estão disponíveis e como esse visitante se desloca dentro do município.
Essa é uma discussão de mobilidade turística.
UMA RODOVIÁRIA NÃO É APENAS UM PRÉDIO
Quando se discute uma nova Rodoviária, não se está discutindo apenas a mudança de endereço de um prédio.
Está se discutindo planejamento urbano.
Está se discutindo fluxo de veículos.
Está se discutindo segurança.
Está se discutindo acessibilidade.
Está se discutindo estacionamento.
Está se discutindo a possibilidade de expansão.
Está se discutindo a integração com as entradas da cidade.
Está se discutindo o futuro.
E esse debate precisa ser feito com estudos técnicos, projetos, audiências, transparência e participação da população.
Não pode ser decidido por manchete.
Também não deve ser rejeitado por manchete.
O QUE PARAGUAÇU PRECISA
Paraguaçu Paulista precisa cuidar do que já possui.
Precisa recuperar o que precisa ser recuperado.
Precisa concluir o que está em andamento.
Precisa fiscalizar contratos.
Precisa cobrar resultados.
Precisa preservar seu patrimônio.
Mas também precisa planejar o futuro.
Não é necessário escolher entre cuidar do presente e pensar no futuro.
É preciso fazer as duas coisas.
A discussão sobre a Rodoviária não deveria ser apresentada como uma tentativa de “tumultuar” um bairro.
Uma proposta dessa natureza precisa ser analisada tecnicamente, considerando o impacto urbano, o sistema viário, a segurança e o interesse dos usuários.
Se os estudos demonstrarem que a localização atual é a mais adequada, isso deve ser demonstrado tecnicamente.
Se os estudos demonstrarem que existe uma localização mais adequada para o futuro da cidade, essa possibilidade também deve ser discutida com transparência.
É assim que uma cidade cresce.
CRÍTICA É IMPORTANTE. INFORMAÇÃO É ESSENCIAL.
O Partido Verde Municipal entende que a imprensa possui papel fundamental na democracia e que a Administração Pública deve ser permanentemente fiscalizada.
Mas fiscalização também pressupõe informação correta e atualizada.
Uma obra que foi retomada deve ser apresentada como retomada.
Um equipamento que está funcionando deve ser apresentado como funcionando.
Um problema que existe deve ser mostrado.
Uma solução que está sendo construída também deve ser mostrada.
E uma proposta de planejamento urbano deve ser discutida pelos seus aspectos técnicos, não apenas pela repercussão que uma manchete pode produzir.
Paraguaçu Paulista não precisa escolher entre preservar sua história e construir seu futuro.
Precisa preservar sua história, recuperar seus equipamentos, atrair investimentos, fortalecer a iniciativa privada, melhorar a mobilidade, qualificar seus produtos turísticos e planejar o crescimento da cidade.
Porque turismo não se constrói apenas com prédios.
Não se constrói apenas com eventos.
Não se constrói apenas com recursos públicos.
E também não se constrói apenas com críticas.
Turismo se constrói com planejamento, investimento, responsabilidade, iniciativa privada, patrimônio, infraestrutura e visão de futuro.
E uma cidade que pretende continuar sendo uma Estância Turística precisa ter coragem para fazer uma pergunta simples:
estamos planejando Paraguaçu Paulista para os problemas de ontem ou para as necessidades dos próximos 20 anos?
O debate está aberto.
E a população merece que ele seja feito com fatos, transparência e responsabilidade.
Por: Assessoria de Comunicação PV/Municipal